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Fake news: como saber se uma foto ou vídeo são verdadeiros


Ana Costa

Jornalista e Diretora na Cellera Comunicações

Sob acusações de fake news, imerso na circulação de conteúdos falsos, com crise de credibilidade e confiança, e em cenários de redução de mão-de-obra e recursos financeiros para seguir adiante, o jornalismo resiste. Para entender um pouco da conjunção desses fatores complexos, estou em São Paulo participando da 14ª edição do Congresso da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), onde espero conhecer algumas possíveis saídas. Sem dúvida, uma delas está em recuperar credibilidade.


No primeiro dia do congresso, vi e ouvi algumas pessoas falando a respeito. Uma delas foi o jornalista Sérgio Lüdtke, durante a oficina que organizou sobre ferramentas de verificação. Em meio a tanta (des)informação, torna-se cada vez mais importante aprender a desarmar a circulação de conteúdos falsos, sejam fotos, vídeos ou narrativas textuais. E essa é uma realidade para além dos jornalistas. Se entendemos que cada pessoa é uma mídia (na medida em que seleciona, produz e compartilha em suas redes determinados conteúdos), é imperativo cada um assumir a responsabilidade implicada em repassar conteúdos adiante.


O cenário de falta de confiança no qual a mídia tradicional se encontra é fruto de uma combinação de fatores. Posso apontar alguns como a quase nula presença de investigações próprias, o enxugamento brutal nas equipes das redações jornalísticas, o jornalismo declaratório (aquele que sempre ouve um especialista e coloca nas aspas do entrevistado o “recado” da reportagem), entre outros. Esse mix de fatores aliado ao fenômeno das redes sociais (e da crença de que se pode falar diretamente com seu público) contribuíram para a eclosão da tal crise de credibilidade.


De acordo com o Edelman Trust Barometer, em 2018, 58% dos entrevistados não sabiam diferenciar o que é verdade do que é mentira, estando a mídia entre as instituições de maior índice de falta de confiança (43%). Ainda nesse estudo, 67% dos entrevistados não sabiam distinguir bom jornalismo de boatos e mentiras, e 64% declararam que está ficando difícil saber se uma matéria foi produzida por um veículo de imprensa respeitado.


A boa notícia é que, mesmo para quem não é jornalista, já há programas disponíveis a qualquer um que queira verificar se um conteúdo é falso ou não. Qualquer pessoa pode rapidamente saber se determinada foto ou vídeo sofreu alteração ou montagem, ou se uma determinada narrativa de texto corresponde a um conteúdo falso.


Fotos e vídeos


Para analisar se uma imagem é verdadeira e está de fato dentro do contexto exposto, é possível usar o próprio Google. Ao abrir a página do buscador, basta acessar “Imagens” e duas opções se abrirão: “Colar o URL da imagem” ou “Envie uma imagem”. Assim, é possível saber se a foto em questão é original, sofreu alguma alteração ou até mesmo se ela já é antiga e foi tirada em outro contexto, diferente do que está sendo usado no momento.


No caso de vídeos, o InVID é uma ferramenta que permite a verificação de vídeos e de imagens. Há também o YouTube Data Viewer, que oferece a possibilidade de verificar frame a frame, o que contribui muito para perceber casos de alteração. O Geo Search Tools também é uma boa ferramenta para buscar vídeos publicados no YouTube.


*Artigo publicado originalmente no LinkedIn.

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